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BRASÍLIA – A economia brasileira surpreendeu e avançou 1,5% em julho, nos cálculos do Banco Central. A expectativa dos analistas do mercado financeiro para o IBC-Br (índice que mede a atividade no Brasil) era de alta de 0,6% até 1,4% para as instituições mais otimistas. Ou seja, o resultado ficou acima até dos mais otimistas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pela autoridade monetária. A alta em julho foi a maior desde junho de 2008, quando a economia cresceu 3,32%.

Apesar de em julho as vendas do varejo terem registrado queda de 1,1%, na comparação com o primeiro trimestre, segundo o IBGE – pior resultado desde 2008 – o BC usa no cálculo do IBC-Br um índice mais amplo, o “varejo ampliado”, que cresceu 0,8% no mês e leva em consideração vendas de veículos, peças e material de construção.

Por essa diferença, a aposta dos analistas para o PIB do BC era de alta. Já a indústria registrou um aumento da sua produção de 0,7% no período. Esses dois fatores são os que mais influenciam o “PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos no país) do BC”.

Já para o ano, não há otimismo. O crescimento nos últimos sete meses é de apenas 0,7%. Julho compensa parte dos resultados ruim do segundo trimestre. Nas contas do BC, a economia brasileira encolheu 0,83% de abril a junho. Cresceu, entretanto, 0,11% nos três primeiros meses do ano.

Para Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, afirmou que a variação reforça a expectativa do banco de “leve aceleração da atividade econômica neste trimestre, após a retração observada nos dois primeiros trimestres deste ano”.

Em relatório enviado a clientes, porém, Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, vai na direção contrária e afirma que, para o período entre julho setembro, o banco espera estagnação ou leve contração do PIB. Goldfajn afirma que a instituição reduziu a previsão para o crescimento no ano de 0,6% para 0,1%, devido à lenta recuperação da atividade e a indicadores desfavoráveis que terão impacto no terceiro trimestre. Já para o quarto trimestre, a projeção é de normalização na economia e moderada expansão. Para 2015, o banco manteve a estimativa de 1,3%.

CÁLCULO DO PIB OFICIAL É DIFERENTE

O IBC-Br foi criado para balizar a condução da política de juros para controlar a inflação. É para ele que o BC olha na hora de fixar a taxa básica de juros (Selic), que está em 11% ao ano. Metodologicamente, o IBC-Br não pode ser considerado uma simples prévia do PIB, porque o dado oficial, calculado pelo IBGE, é muito mais complexo. O índice construído pelos técnicos da autoridade monetária é o que os economistas chamam de proxy, ou seja, uma aproximação.

No resultado oficial do PIB, em agosto, o IBGE informou que a economia brasileira registrou recuo de 0,6% no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano. No primeiro trimestre, o desempenho foi revisado de avanço de 0,2% para recuo de 0,2%, o que caracterizou um quadro classificado pelos economistas como recessão técnica (dois trimestres seguidos de contração). O IBGE, porém, é cauteloso ao comentar o assunto e diz que só considera avanço ou contrações a partir de 0,5%, já que a taxa pode ser revisada.

INVESTIMENTO FOI PIOR INDICADOR DO SEGUNDO TRIMESTRE

Analistas apontaram a queda do investimento – a mais acentuada desde o auge da crise econômica, em 2009, como o pior indicador das contas nacionais. Em 12 meses, a economia registra avanço de 1,4% até junho. Com o recuo de 0,2% frente ao primeiro trimestre, o PIB brasileiro ficou em R$ 1,271 bilhão entre abril e junho.

Ontem, o Banco Central deu sinais de que está preocupado com a atividade economia no país. No entanto, mostrou-se mais tranquilo em relação ao combate da inflação. Para a autoridade monetária, entretanto, o dragão não está tão “resistente” como antes. No entanto, o BC avisou que só espera que a inflação volte para o centro da meta de 4,5% nos primeiros trimestres de 2016.

O Globo