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O vírus ebola se espalhou pelas redes sociais no Brasil desde a primeira suspeita de infecção no país, reportada em Cascavel, no interior do Paraná.

Da noite de quinta-feira até a manhã desta sexta, o termo “ebola” foi compartilhado 120 mil vezes pelo Twitter em português. A palavra Guiné, país de onde veio o paciente, foi a terceira mais citada na rede social por volta da meia-noite.

A Guiné é um dos três países que concentram a epidemia do vírus na África, juntamente com Serra Leoa e Libéria.

Pelo Facebook, segundo a ferramenta de análise Sysomos, mais de 400 postagens públicas em português sobre o Ebola surgiram nas últimas 24 horas.

Os termos “ebola”, “Guiné” e “Fiocruz” seguem entre os dez tópicos mais comentados por brasileiros na rede.

Racismo
O homem de 47 anos, que chegou ao Brasil no dia 19 de setembro após escala no Marrocos, foi transferido durante a madrugada para Rio de Janeiro.

Em meio a dúvidas sobre sintomas, riscos de infecção e especulações sobre a confirmação ou não do caso, alguns internautas mais uma vez publicaram comentários racistas nas redes sociais. As ofensas associam o vírus ebola à população de origem africana.

“Ebola é coisa de preto”, “Alguém me diz por que que esses preto da África tem que vir para o Brasil com essa desgraça de bactéria (sic) de ebola” e “Graças ao ebola, agora eu taco fogo em qualquer preto que passa aqui na frente” foram algumas das frases postadas no Twitter na manhã desta sexta.

A situação não é diferente entre os usuários do Facebook. A nuvem de palavras que mostra os termos mais associados à doença na rede destaca a palavra “preto”.

Ou seja, a maioria das pessoas que escreveu publicamente sobre o vírus associou “ebola” ao termo “preto”.

‘Sob controle’
Na manhã desta sexta-feira, o ministro da Saúde Arthr Chioro afirmou, em entrevista coletiva, que o paciente não teve “nem hemorragia, nem diarreia, nem febre, nem vômito.”

“Na quarta-feira, teve febre, tosse e dor de garganta. O médico trabalha com as informações e sintomas que ele consegue detectar na consulta clínica”, disse o ministro.

Foram identificadas 64 pessoas que tiveram contato com o paciente – 60 delas na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Cascavel.

Os resultados dos exames, segundo Chioro, saem em 24 horas.

“Se tivermos o resultado do exame antes, imediatamente tornaremos público. Pelo protocolo, é necessário confirmá-lo em dois laboratórios. Mesmo se esse resultado der negativo, será colhida em 48 horas uma segunda amostra para análise e posterior informação do resultado.”

Terra