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Aquelas palafitas de Jacaré são imorais, ilegais, mas necessárias. Invadem terreno de Marinha, assim como centenas de casa entre Manaira e Cabedelo, mas são encantadoras, aconchegantes, essenciais.

Derrubá-las derrubará o fluxo turístico em uma das maiores atrações que temos, que é o Pôr do Sol de Jacaré, vendido como momento mágico em tudo que é canto e que entrou até no Guines quando Jurandy executou pela milésima vez o Bolero de Ravel.

É uma coisa desordenada, avança sobre o Rio Sanhauá, não paga aluguel, mas é do interesse público e tirar as palafitas talvez comprometa o charme do espetáculo diário.

Soube que há um projeto da Prefeitura de Cabedelo, mas fico a temer pela contemplação interrompida e com pena dos milhares de turistas que deixarão de participar desse espetáculo natural sem ter tido o prazer de estar sobre as palafitas dançando forró e tomando cerveja.

Jacaré era habitat maluco beleza nos anos 70 e 80, uma chaminé de fumaça psicodélica ao som de Pink Floyd e Led Zepelim, quando “evoluiu” e transformou-se ambiente de gente “normal”.

Alguém enfiou uma estaca sobre o rio e ergueu o primeiro bar. Em seguida a coisa se propagou e temos ali restaurantes tradicionais.

Confesso que tenho medo dessa coisa planejada, desse zelo excessivo do Ministério Público, que às vezes deixa de fiscalizar os arranjos da política para compensar querendo disciplinar os desarranjos de um Pôr do Sol.

Se querem culpar alguém pelo assédio a natureza que , por favor, culpem o sol, pois é ele que atrai todos os dias contempladores para as palafitas ilegais.

Mas não desempreguem aquela gente que passou a viver do repouso diário do astro rei.