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É sempre assim: povo de um lado, deputados do outro. Até que percebam que optar pelos encantos do Poder Executivo pode lhe custar os mandatos no próximo pleito.

Passaria aqui o dia citando erros históricos de vários parlamentares que, ao cair no canto da sereia de um governo impopular, receberam castigo merecido na eleição seguinte.

Convenhamos, os 100 dias da gestão do governador Ricardo Coutinho é o que se viu de mais desastroso na história da Paraíba nos últimos 100 anos.

Mas, como todo gestor impopular, ele precisa ter maioria no Poder Legislativo e aí aquela ralé de políticos sem escrúpulos pula a cerca e manda para as cucuias os compromissos assumidos com o eleitor na eleição recente.

Mais grave ainda, o lobby oficial começa a plantar na mídia desqualificada uma falsa sensação de unanimidade, que as coisas estão boas e que o bacana é aderir.

O parlamentar viaja pelas bases e constata a impopularidade do Governo, mas faz rápida análise de conjuntura e descobre a mídia garroteada. Vai pular a cerca, pois não haverá escândalo nem linchamento político.

Como ser de oposição é morrer de sede em frente ao mar logo o corretor de votos corre ao Palácio atrás do tesouro.

O problema é que nem pra fazer um governo medíocre essa turma do Coletivo RC presta. Quem vai ao Palácio volta com promessas republicanas e alguns benefícios em conta-gotas.

Aí logo entram em campo porta vozes mal remunerados, e que até agora só viram corinho de rato e promessas, mas precisam mostrar serviço e escalam a toda hora um parlamentar que vai aderir.

Pergunto: aderir a quem? Ficar do lado de um governo que jogou na rua quem fez campanha pra ele é suicídio político, pois além de não conseguir emplacar ninguém o cara nem mesmo consegue manter os que já tinham contrachequezinho.

É uma prática condenável essa do é dando que se recebe, mas nem mesmo isso ta garantido. Não que o Governo Ricardo seja diferente dos outros, ao contrário é igual e às vezes até pior, mas pela mudança do perfil da bandalheira.

Estão empregando gente do mesmo jeito que Cássio ou Maranhão fizeram em seus governos, mas com um discurso moralista e a chancela involuntária do Ministério Público.

Demitiram milhares para recontratar outros milhares. O critério é o de sempre: político. Mas desta vez tudo passa pelo crivo do governador, que recebe pessoalmente os pedidos até via email, transformando-os em processos formais para manter a ingenuidade de quem acredita nele como refém.

Quem amarga hoje problemas mil pela perda do emprego que exercia há anos ou pelo corte nas gratificações incorporadas tenha a certeza que nos bastidores cada matrícula está sendo substituída por outro CPF e que sua gratificação já está sendo usufruída por outro.

Não acredito que a classe política seja tão burra a ponto de alimentar o veneno de quem quer vê-la pelas costas. Já tive a oportunidade de dizer aqui que ou Ricardo acaba com a classe política ou a classe política acaba com ele.

A composição que o PSB fez foi dialética e pragmática. O Coletivo RC continua querendo empurrar abismo abaixo os mesmos personagens que estiveram em seu palanque e que hoje circulam pelos corredores deste governo, pois sabe que só haverá espaço para todos com a aposentadoria compulsória de muitos.

Se eu tivesse que oferecer um conselho aos parlamentares de oposição e até de situação eu pediria que prestassem mais atenção na fábula do sapo e do escorpião.

Os parlamentares, obviamente, são os sapos e o Coletivo os escorpiões.