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Em vídeo levado à internet, Lula inaugurou sua pregação pública em favor da reforma política.

A peça foi veiculada no sítio ‘Mobilização BR’, mantido por petistas. Na parte final, Lula dirige-se “aos companheiros e companheiras das redes sociais”.

Convida-os a “contribuir”. Como? Promovendo um “debate muito forte” sobre a pretendida reforma.

O que se deseja, diz ele, é “valorizar os partidos políticos”. Para quê?

“Quando você faz uma negociação, tem que negociar com os partidos. Não pode ser com um grupo dentro do partido, não pode ser com pessoas dentro do partido…”

…E você pode comunicar pra sociedade: eu fiz um acordo com tal partido. Ele vai ter um ministério, ele vai trabalhar na campanha. E fica muito claro, à luz do dia”.

Nada muito diferente do que ocorre hoje, como se vê. Considere-se o caso do PMDB, o maior partido do país.

Tomado pelas palavras do vídeo, Lula acha que um presidente da República deve negociar a partilha de cargos com a legenda, não com pedaços dela.

Nada de tricotar separadamente com o grupo de José Sarney, no Senado, e o de Michel Temer, na Câmara.

Ao discorrer sobre a reforma, Lula não diz como as mudanças vão operar o milagre da unificação partidária.

Ele se abstem de mencionar o modelo do voto em lista, defendido pelo PT. Um sistema que priva o eleitor de votar diretamente nos candidatos de sua preferência.

Vota-se no partido. E elegem-se os políticos acomodados numa lista de nomes escolhidos previamente pelas legendas.

No vídeo, Lula cita apenas dois tópicos da reforma. Defende a fidelidade partidária e o fim da “corrupção”.

Como extirpar os malfeitos? “Defendo a proibição de dinheiro privado [na eleição] e a constituição de um fundo público, como existe em outros países”.

O que o ex-soberano não diz é que a criação do tal “fundo público” não evita que o dinheiro privado de má origem continue passando por baixo da mesa.

Lula declara, de resto, que é preciso buscar o “consenso” entre os atores que votarão o projeto de reforma no Congresso.

Revela-se disposto a conversar com partidos aliados, sindicatos, estudantes e organizaões da sociedade, “para saber que tipo de reforma podemos construir”.

Ao emprestar sua popularidade às teses do PT, Lula tenta por de pé uma reforma que, em dois reinados (oito anos), não conseguiu empinar. 

Do Blog do Josias