Fale Conosco

Após reportagens do Correio, Comissão da da Exploração Sexual convoca Ministério do Esporte para esclarecer abusos. CBF também será chamada

A série de denúncias publicadas pelo Correio sobre a ocorrência de abuso sexual de menores nas escolinhas de futebol levou a CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes da Câmara a aprovar, ontem, a convocação do secretário de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte, Luís Antônio Paulino para falar sobre a posição do ministério no combate a crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes. Em outubro, a comissão deve votar convocação de representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para debater o tema, diz a presidente da CPI, deputada Erika Kokay (PT-DF). “Queremos formar um pacto com a CBF, os times de futebol e o governo para proteger as crianças desse tipo de prática, debatendo formas de fiscalização e de atendimento às vítimas de abuso”, afirma a deputada.

O tema despertou interesse dos parlamentares da CPI que, a partir de agora, pretende voltar o foco para o tema. Para que isso aconteça, o deputado Luiz Couto (PT-PB) pretende prorrogar o prazo de encerramento dos trabalhos da comissão por mais 60 dias, alegando que há a necessidade de mais tempo para tomar depoimentos e realizar diligências. No período serão analisados requerimentos de convocação do presidente da CBF, José Maria Marin e do diretor de Seleções da confederação, André Sanchez.

Segundo a deputada Erika Kokay, a presença dos diretores e do presidente é necessária para esclarecer as denúncias feitas pelo jornal. Porém, a falta de parlamentares no plenário da comissão – por causa das eleições municipais – tem dificultado os trabalhos. “Não temos nenhuma intenção de constranger o presidente da CBF ou coisa que o valha. O que estamos vendo é que há um movimento de não dar quórum na CPI, que a gente percebe desde a última reunião”, observou a deputada.

Denúncias
O Correio percorreu nove cidades de três regiões do país para mostrar o drama do abuso e exploração sexual no mundo do futebol, muitas vezes tratado como folclore. A reportagem apresentou casos reais de meninos que sofreram a violência tanto dentro de escolinhas improvisadas de bairro – muitas das quais mantidas por prefeituras – quanto em grandes times da Série A do futebol brasileiro.

Envergonhadas e com medo de perderem a chance de fazer carreira em um clube famoso, as vítimas costumam silenciar. Muitos garotos só revelaram a violência porque contraíram alguma doença grave, como mostrado pela reportagem em um caso ocorrido em Tracunháem (PE), no qual o menino foi contaminado com sífilis. Outros só relataram a violação porque o abusador acabou preso.

Além das histórias, a série se baseou em documentos oficiais – como inquéritos policiais e processos judiciais – na busca para dimensionar o problema. Não há dados oficiais sobre o tema. Faltam também políticas para combater a violência e amparar as vítimas. A Secretaria de Direitos Humanos anunciou, depois da publicação do material, que começaria um trabalho de conscientização dentro dos clubes brasileiros.