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RIO – Depois de ceder 1,03% na véspera, o dólar comercial voltou a ultrapassar a barreira dos R$ 2,40, seguindo tendência internacional e apesar da intervenção mais forte do Banco Central. Às 14h06m, a moeda americana subia 1,59%, cotada a R$ 2,4202 para compra e a R$ 2,422 para venda. Também acompanhando a tendência de aversão a risco, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresenta recuo de 1,57% em seu indicador de referência, o Ibovespa, aos 55.931 pontos.

Segundo o serviço de informações financeiras Bloomberg, o real registra hoje a terceira maior desvalorização frente ao dólar entre as 16 principais moedas do mundo, atrás apenas do dólar australiano e do dólar neozelandês. Analistas interpretam ser provável que o banco central dos EUA, o Federal Reserve, irá elevar os juros antes das autoridades monetárias de outros países. Desde a eclosão da crise financeira, em 2008, os BCs de nações desenvolvidas mantêm os juros a patamar historicamente baixo na tentativa de estimular a economia. Mas, nos EUA, dados positivos sobre a atividade econômica dão a entender que esse estímulo pode vir a ser retirado antes do previsto.

– Depois da última reunião do Fed, há um consenso de que a elevação dos juros americanos será feita já no primeira semestre do ano que vem, talvez até no primeiro trimestre. Então o cenário externo está contribuindo para isso. Só que, no caso do real, as eleições dão contribuição ainda maior. O BC estava segurando o dólar por conta do seu impacto na inflação e, consequentemente, nas urnas. Como a inflação acabou ficando estacionada, ele deixou que o dólar subisse de patamar – explicou Italo Abucater, gerente de câmbio da corretora Icap do Brasil. – O real está se desvalorizando mais do que as outras moedas porque o câmbio aqui estava represado por essa intervenção eleitoreira.

Abucater acrescentou que, com as últimas pesquisas mostrando novo impulso à candidatura da presidente Dilma Rousseff, os investidores acabaram correndo para o dólar por causa da aversão a risco – o mercado financeiro é, em sua maioria, crítico à política econômica atual e costuma reagir com mau humor a notícias favoráveis à reeleição.

Hoje, pelo seguindo dia, o BC injetou quase U$$ 750 milhões no mercado com a rolagem de 15 mil contratos de swap cambial – que equivale à venda de dólar no mercado futuro – com vencimento em 1º de outubro. Até segunda-feira, a rolagem diária vinha sendo de apenas US$ 300 milhões. Além disso, o BC ofereceu mais US$ 198,2 milhões em novos contratos de swap.

MINÉRIO DE FERRO CAI AO MENOR NÍVEL DESDE 2009

Na Bolsa, a principal influência negativa vem da Vale, cujas ações recuam 1,66% (ordinária, com direito a voto) e 2,09% (preferencial, sem voto). A mineradora vem sofrendo continuamente com a queda do preço do minério de ferro, seu principal produto, no mercado internacional. Hoje, a cotação do minério caiu ao seu menor nível em mais de cinco anos, com a tonelada custando US$ 78,60.

Em entrevista a agências de notícias na China, o diretor de marketing da Vale, Cláudio Alves, disse estar confiante de que a importação de minério pela China em 2015 vai aumentar ainda mais em relação ao recorde de 900 milhões de toneladas este ano. A desaceleração da economia chinesa é a principal responsável pelo barateamento do produto, já que os chineses são seus principais consumidores.

As ações da Petrobras também caem, com desvalorização de 1,36% (ON) e 1,38% (PN). O Banco do Brasil registra queda bem maior que o restante dos bancos, recuando 4,20%. Executivos do banco temem que o Fundos Soberano do Brasil despeje no mercado mais de R$ 3,5 bilhões de ações do banco no mercado com o objetivo de ajudar a tapar as contas do governo este ano. O banco tenta convencer o governo de que isso precipitaria um derretimento instantâneo dos papéis do BB na Bolsa.

Tem influencia no cenário brasileiro a taxa de desemprego, que ficou praticamente estável em agosto, em 5%, nas seis principais regiões metropolitanas do país, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE. É a menor taxa para meses de agosto da série histórica, iniciada em março de 2002. Mas analistas esperavam número levemente menor, de 4,9%.

WALL STREET EM QUEDA

Em Wall Street, as ações estão em queda, com investidores especulando que dados melhores sobre o emprego faça o Fed elevar os juros antes do previsto. A tendência se fortaleceu após a divulgação dos pedidos de seguro-desemprego, que somaram 293 mil na semana anterior, em vez dos 296 mil esperados por economistas. O índice Dow Jones cai 1,40%, enquanto o S&P 500 tem recuo de 1,46%. O Nasdaq tem baixa de 1,73%.

O Globo