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O incidente envolvendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e manifestantes hoje na Assembleia Legislativa, não pode ser atribuído a Estela, Anísio, Frei Anastácio ou Adriano Galdino. Muito menos ao governador Ricardo Coutinho, de quem eu discordo na maioria das vezes, mas hoje, não.

O terceiro na linha de sucessão no País recebeu tratamento institucional adequado, tinha um cordão de policiais do lado de fora, o presidente da Assembleia Adriano Galdino colocou a polícia Legislativa a disposição e a própria segurança da Câmara Federal fez sua triagem ontem credenciando jornalistas.

Na verdade, o que está acontecendo é que Eduado Cunha apenas colhe o que anda plantando e, sabemos que na vida, para cada ação corresponde uma reação.

Sindicalistas e LGBTS reagiram a tentativa de retrocesso imposta por Cunha, reconhecidamente homofóbico e a favor da política de terceirização que flexibiliza a CLT e favorece apenas empresários.

Claro que ninguém pode ser a favor dos danos causados ao patrimônio ou das agressões quando arremessaram ovo no deputado carioca, que substitui Dilma em caso de impedimento dela e de Temer.

No entanto, errou Cunha quando fez acusações aos deputados Anísio e Estela, pois lá nas galerias estavam militantes de partidos que nenhum dos dois tem influência, a exemplo do PSOL e PCO.

Emergente do baixo clero indignado com a seca das emendas imposta por Dilma, Cunha soube acalentar os colegas e vender essa idéia de que sua ascenção seria a ascenção dos banidos, dos “sem comissão” pra receber do estorno.

Do jeito que se posiciona, Eduardo Cunha pode ir se preparando para ser muito bem recebido pelos pares em jantares como o que houve ontem na residência da prefeita de Patos, Chica Mota, avó do protegido do presidente da Câmara e alçado à presidência da CPI da Petrobras, Hugo Mota, mas também precisa entender que nos ambientes públicos será frequentemente hostilizado por ser um conservador reacionário, que às vezes até esquece que o Brasil é um País laico e que sua religião, evangélica da Assembleia de Deus, é apenas mais uma dentre tantas com múltiplas opiniões sobre o certo, o errado e o livre arbítrio.