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O caos realmente se instalou na rede pública de saúde da Paraíba, desde que Ricardo Coutinho assumiu o governo.

Hoje, o deputado Vituriano de Abreu disse que em Sousa as portas do Hospital Regional estão sendo fechadas com esparadrapos.

Mas o que já está ruim, pode piorar.

O deputado estadual Luciano Cartaxo (PT) vai criar o Fórum Permanente em Defesa da Saúde Pública da Paraíba, composto por representantes dos conselhos profissionais da área de Saúde, sindicatos, organizações não-governamentais (ONGs), usuários e outros segmentos da sociedade com o objetivo de debater e apontar soluções para a situação caótica da Saúde na Paraíba.

O parlamentar se reuniucom o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), João Medeiros Filho, e a diretoria do órgão, ocasião em que recebeu documentos em que os médicos denunciam falta de profissionais, carga de trabalho excessiva (plantões extras que estão levando a um “desligamento em massa” nas unidades de saúde) e condições precárias de trabalho.

O deputado teme o aumento de danos à população já que o CRM realiza inspeções em unidades de saúde de todas as regiões e, em alguns desses locais, a situação era tão crítica que o órgão recomendou a interdição de setores das unidades de saúde.  

É o caso de Patos, onde a Maternidade Peregrino Filho (a única da cidade) teve a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI) interditada pela falta de profissionais. No Hospital Regional e na unidade Infantil Noaldo Leite também faltam médicos.  Estas e outras denúncias estão registradas em uma série de documentos que comporão um dossiê a ser entregue por Luciano Cartaxo ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Alguns exemplos de carga excessiva de trabalho, segundo o CRM, são o Hospital Regional de Campina Grande de onde 72 médicos estão pedindo desligamento e o Trauma daquela cidade que, segundo o CRM, deve perder 17 cirurgiões pediátricos.

Um documento recebido por Luciano Cartaxo mostra que um médico cirurgião do Hospital Regional chegou a registrar queixa na polícia por trabalhar sozinho em um horário em que quatro profissionais deveriam estar atendendo e em que o médico diz que, após ser ameaçado por diretores do Hospital, fez duas cirurgias de urgência sem nenhum auxílio médico.

No Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena, na Capital, os relatos são preocupantes.

“O Trauma é o espelho do caos em que se tornou o serviço público de Saúde e a grande pergunta é: qual o medo do governador ao proibir o acesso da imprensa no Trauma? Acredito que isso é, na verdade, um atestado das péssimas condições em que se encontra aquele hospital. O CRM nunca recebeu tantas denúncias e pedidos de desligamento de médicos e acredito que o Fórum será um grande instrumento para discutirmos e apontarmos soluções para este cenário em que vivemos hoje”, afirmou Cartaxo.

Outra situação preocupante apresentada pelo parlamentar foi a declaração (enviada à Promotoria da Saúde) da Gerência de Vigilância Sanitária da Capital de que o órgão não tem possibilidade de participar das ações de fiscalização em unidades de saúde junto com o Ministério Público.

“Há questões técnicas que só poderão ser observadas por membros da Vigilância Sanitária durante estas inspeções e nos preocupa saber que está havendo uma recusa em realizar este importante trabalho”, declarou Cartaxo.

Nota do CRM

Em nota divulgada no último dia 27, a direção do CRM denuncia o que chamou de “péssimas condições de trabalho e de remuneração” e afirmou que os médicos que prestam serviço na rede pública estadual e municipal da Paraíba estão expostos a vários riscos.

“Na verdade, os médicos vêm sendo submetidos, nos últimos anos, a uma política de achatamento salarial e a uma perda sistemática dos seus direitos trabalhistas, culminando num processo ímpar de precarização das suas relações de trabalho sem precedentes na história, o qual traz como resultado o direito legítimo de deflagração de movimentos reivindicatórios”, diz o texto.