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Quando se digita a palavra voucher no Google, os resultados de busca revelam a associação da palavra a viagens, cupons de desconto e recargas de celular. No Brasil, entretanto, o termo está se estendendo a creches, com o chamado voucher-creche, ou como outros chamam a privatização do ensino público. Aqui em Campina o termo, ganhou repercussão após o candidato a prefeito pelo PSD, Bruno Cunha Lima, apoiado pelo atual prefeito Romero Rodrigues (PSD), anunciar que está entre suas propostas aplicar parte dos recursos públicos destinados à educação para que os pais matriculem seus filhos na rede privada de ensino na cidade.

“A ampliação de vagas para a rede infantil em parte dará pelo sistema de voucher, quando a iniciativa pública, transfere recursos através de voucheres, para que os pais possam ter acesso à rede privada, mas custeadas com recursos públicos”, disse Bruno em vídeo por meio das suas redes sociais. Assista:

Esse programa vem de voucher de aplicação de recursos públicos para a rede privada, vem ganhando criticas, pois especialistas como Roberto Leher, pesquisador da área de educação e ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revela que essa é sim uma forma de se privatizar o ensino público. Leher é enfático em suas críticas e prevê a instalação de um modelo perverso que geraria um “apartheid educacional” no país, penalizando setores mais pobres, explorados e expropriados da sociedade. “Muitos objetivos políticos estão convergindo para a política de vouchers, por isso entendo que este é um dos acontecimentos mais graves do governo Bolsonaro”, afirma Leher. (Confira mais detalhes: https://outraspalavras.net/outrasmidias/vouchers-na-educacao-o-desmonte-do-ensino-publico/).

E o que esta política ocasionou socialmente no Chile? As marchas dos estudantes, em 2006, pelo movimento Pinguim [os estudantes chilenos foram apelidados assim por se vestirem de terno e gravata], demonstraram de maneira muito contundente que as escolas financiadas exclusivamente pelos vouchers eram muito degradadas, porque o valor não assegura o custeio básico adequado para elas. Então, na realidade, nós tivemos o pior cenário possível. Ou seja, de um lado as escolas voltadas para os setores mais pauperizados, mantidas pelos vouchers, em condições cada vez mais precárias. E, de outra parte, os setores das classes médias, os setores dominantes, em geral, com recursos muito mais relevantes, porque o voucher era apenas uma parte do pagamento da mensalidade. As famílias complementavam com recursos próprios as mensalidades.

As escolas privadas do Chile, por sua vez, fazem seleção dos estudantes, ou seja, já há uma seleção prévia, o que mascara os resultados educacionais. Essas instituições privadas que recebem voucher, além de terem um montante de recursos muito maior (voucher + mensalidade), são escolas seletivas. Com isso, nós tivemos, no caso chileno, um modelo extremamente perverso, que está na base da Revolta dos Pinguins e que chegou a mobilizar 20% da população do Chile – algo único na história das lutas pela educação pública. É uma mobilização que está na base do atual levante social que ainda está em curso no Chile. Diversas desigualdades permaneceram e isso é percebido hoje, pela população, como uma política nefasta.

Escândalo na educação em Campina – A ‘Operação Famintos’ foi desencadeada no dia 24 de julho em Campina Grande e outras cidades da Paraíba. Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União investigam um suposto esquema de desvios de recursos federais do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), geridos pela gestão do prefeito Romero e do seu vice Enivaldo em Campina Grande. O prejuízo ultrapassa R$ 2,3 milhões.

BRUNO E SUA OPINIÃO SOBRE A ‘OPERAÇÃO FAMINTOS’

O candidato de Romero à PMCG, Bruno Cunha Lima (PSD), que recentemente foi instado a defender a gestão do atual prefeito, o que inclui a defesa dos membros da administração que foram presos ou investigados pela Polícia Federal na Operação Famintos, opinou sobre a prisão da ex-secretária e ex-cunhada do prefeito, Iolanda Barbosa, presa em razão das investigações.

Bruno saiu integralmente na defesa da então titular da pasta da Educação. “Eu confio completamente na lisura do processo que é tomado pela ex-secretária Iolanda Barbosa”, afirmou Bruno Cunha Lima. Veja mais: https://paraibaonline.com.br/2019/08/chefe-de-gabinete-sobre-a-operacao-famintos-confio-completamente-na-lisura/