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Um ambientalista cansado de ver animais sendo maltratados e vendidos como objetos de entretenimento em mercados negros escreveu um texto protestanto contra a situação a que são submetidos animais.

 

Leia o texto de Aramy Fablício:

“Animais na Paraíba estão sendo extintos de forma acelerada, alerta o ambientalista Aramy Fablício

Entrevistei um capturador de aves e ele, no ano passado, capturou mais de mil aves bigodinho e vendeu para os traficantes de animais ao preço de 5 reais cada uma. Ele contou orgulhoso que ganhou mais de 5 mil reais só na captura desta ave migratória, que vem dos campos abertos da Venezuela para se reproduzir aqui na Paraíba. Este ano ele reclamou que capturou pouco, em torno de 350 aves bigodinho, e o que deu mais lucro foram as espécies nativas, a exemplo das aves goladinho, maria-fita, entre outras aves, cujo valor varia em torno de 2 a 3 reais. “O Brasil é um dos principais alvos dos traficantes da fauna silvestre devido a sua imensa biodiversidade. Esses traficantes movimentam cerca de 10 a 20 bilhões de dólares em todo o mundo, colocando o comércio ilegal de animais silvestres na terceira maior atividade ilícita do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. O Brasil participa com 15% desse valor, aproximadamente 900 milhões de dólares!!!”

A cada ano diminui o número de aves que migram para nossa região. Isto já é o reflexo do processo de  extinção, já que eles capturam justamente no período da reprodução. Elas chegam com o início das chuvas no começo de março e migram de volta entre o final de julho e o começo de agosto, quando os filhotes já estão prontos para a primeira jornada de volta para os campos abertos da Venezuela. Os filhotes têm uma plumagem acinzentada parecendo a ave fêmea adulta, no ano seguinte quando migram de volta para o Brasil  os machos já chegam com a plumagem adulta ou seja com o peito branco e a parte superior preta com dois bigodinhos brancos próximos ao bico, daí o nome popular da ave.

Tudo tem seu valor no mercado do tráfico de animais. Os atravessadores também compram mamíferos como sagüis, gato maracajá espécie ameaçada de extinção;  répteis, etc. Os governantes não fazem nada, as entidades que tem o dever de prender e autuar os traficantes, capturadores e os receptadores também não fazem nada e com isto os animais da Paraíba estão sendo extintos sem ser percebido pelas pessoas decentes. A única arma em defesa destas criaturas tem sido a imprensa da Paraíba, que projeta esta matéria para jornais de outros estados e sites que publicam matérias em defesa da natureza. Observo tudo que esta acontecendo com a fauna e a flora da Paraíba desde a década de setenta e de lá pra cá, a cada dia ela empobrece , lembro que as aves migratórias e domésticas eram muitas e hoje restam poucas algumas em processo  de ser extinta como o azulão nordestino que considero como uma ave já condenada a extinção sem possibilidade deste quadro ser revertido já que quase não existe mais e há milhares de pessoas interessadas em capturá-lo. Outras já foram extintas, como a ave engraxadeira, que sequer foi catalogada, pois nunca vi uma foto em lugar algum e desde o final dos anos setenta não a vi mais. Os capturadores estão com equipamentos cada vez mais sofisticados que vai de GPS, gaiolas que variam de oito e até 14 alçapões pois quanto mais rápido a ave for capturada mais o número e o lucro aumenta, redes que capturam de gavião a beija flor. Algumas espécies são capturadas para serem empalhadas já que não se criam em cativeiro a exemplo de  espécies de beija flores que  são apreendidas para serem empalhadas e vendidas  para colecionadores e pessoas que se interessam em ter uma avezinha empalhada  para exibir para outras pessoas estúpidas, que acham graça nesta atitude. Crianças e adultos são aliciados, pois vêem na captura de animais uma fonte de renda bem melhor que qualquer  trabalho, pois gera mais dinheiro, as crianças são exploradas na hora que vendem o animal capturado para os atravessadores, que pagam mais barato por serem crianças. Muitas não frequentam escola para capturar animais, para elas o lucro do dinheiro é melhor que ir para escola.

Segundo o ambientalista Aramy Fablicio, o que o deixa mais indignado não é o descaso dos governantes, guardas florestais que são poucos para fiscalizar grandes áreas, mas a sociedade civil, que continua a alimentar o tráfico comprando estes animais. Os grandes meios de comunicação só fazem matérias sobre a Amazônia, o pantanal, o cerrado e principalmente a costa marítima. Não sou contra as matérias sobre todos estes santuários ecológicos, acho até que deveriam ser mostradas mais agressões a todos estes locais, mas os grandes meios de comunicações deveriam olhar para a fauna e flora da caatinga ou semi árido. Temos o SOS Mata Atlântica para fazer apologia em defesa da mata Atlântica e mesmo assim todos estes lugares são agredidos de todas as formas. Acho que deveria ser TOLERÂNCIA ZERO, muitas pessoas mantêm animais silvestres aprisionados  nas suas casas, outros desfilam em praças e ruas. Se uma pessoa é pega com droga a policia autua o infrator. O mesmo deveria acontecer com a pessoa que mantém um animal silvestre aprisionado deveria ser autuado e, dependendo do caso, responder processo ou cadeia, desta forma acabaria radicalmente com o tráfico de animais, pois ninguém iria querer ser processado ou até preso por manter um animal aprisionado ou acorrentado. A mesma ação deveria valer para maus tratos a animais domésticos e domesticados.  È comum vermos animais silvestres sendo comercializados em feiras livres e pessoas comprando porque acham bonitinhos, mas estas criaturas são tiradas do seu habitat natural  e são maltratados por traficantes, e a sociedade continua a colaborar para que estes criminosos enriqueçam e empobreçam a natureza levando várias espécies a extinção, comenta o ambientalista Aramy Fablicio.

Imaginem um lugar onde DEUS criou natureza com animais e plantas exóticos que sobrevivem  à seca e quando a  chuva não vem e o clima fica mais hostil, eles sobrevivem. Só não resistem às agressões do pior dos animais, o “Bicho homem”. Queria falar para os meios  de comunicação que DEUS também criou vida selvagem aqui e que olhem para estas criaturas exóticas e lindas que estão sendo levadas do seu habitat natural para serem comercializadas nas cidades, principalmente  nos grandes centros como São Paulo, Rio, outros estados e regiões e para o exterior.”