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Envolto em denúncias, o novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP), afirmou nesta segunda-feira que comandará a pasta com o mais rigoroso padrão ético. Ribeiro tomou posse no Palácio do Planalto quatro dias depois de seu antecessor, Mário Negromonte, deixar o cargo após uma série de suspeitas de corrupção.

Em seu discurso, o novo ministro agradeceu à presidente Dilma pela confiança. “Venho de uma família de tradição política e vivemos um clima de ceticismo em relação aos políticos”. Segundo ele, uma boa gestão na vida pública tem que ser política. “Gestão será prioridade, nosso foco, nossa diretriz e minha maior missão no Ministério das Cidades”, disse. “Não deixa de ser altamente simbólico que uma descendente de primeira geração de um imigrante búlgaro esteja empossando nessa cerimônia um filho de uma família que fincou raízes no semiárido paraibano.” 

Assim como seu antecessor, o novo ministro também possui um extenso currículo de suspeitas de irregularidades. Ele é acusado de destinar emendas para Campina Grande (PB), município em que a irmã é pré-candidata à prefeitura, de pedir prioridade em repasses para a prefeitura de Pilar, governada pela mãe, de empregar em seu gabinete na Câmara dos Deputados um primo de primeiro grau que não trabalha em Brasília e de ser dono de duas rádios na Paraíba, seu estado natal. Ribeiro responde também a dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Sobre a denúncia de que ocultou à Justiça eleitoral a declaração de quatro de suas empresas, o ministro disse que as companhias estão detalhadas em seu Imposto de Renda. “Isto já está tudo declarado na Receita, não adianta tentar fazer factoide com o que não existe”, afirmou.

Negromonte – Em sua despedida, o antecessor de Ribeiro, Mário Negromonte, fez um breve discurso, de apenas cinco minutos. Ele voltou a negar corrupção na pasta que comandou. “Não há nenhuma irregularidade em nossa gestão, absolutamente nada”, disse. “Saio sem nenhum processo.” O ex-ministro afirmou que houve “incompreensão” de alguns sobre a “complexidade” do Ministério das Cidades. A verdade é que ele deixou o cargo após várias denúncias, entre elas, a de ter oferecido 30 000 reais a parlamentares do PP em troca de apoio político.

Negromonte deu um recado positivo à presidente Dilma sobre a aliança com PP. “Sempre contará com nosso apoio, respeito e cooperação”, afirmou. E saudou o novo ministro: “Pode contar comigo.” Participaram da cerimônia ministros que também estão em situação delicada devido a crises recentes: Guido Mantega, da Fazenda, e Fernando Bezerra, da Integração Nacional. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), também compareceu.

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