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Conduzido por uma estratégia orquestrada, mas que tenta parecer espontânea, o senador Cássio Cunha Lima teve o balão de ensaio de sua hipotética candidatura ao governo inflado durante quase todo o ultimo semestre de 2013.

No finalzinho do ano caiu na besteira de comparecer ao aniversário de Ricardo Coutinho para mostrar que é estadista e republicano e o ponto de interrogação que o mantém bem posicionado nas pesquisas perdeu o objeto, pois a charada estava esclarecida e quem vivia a perguntar “Cássio é candidato?” teve que se contentar com a exclamação “Cássio não é candidato!”.

Ontem em Uiraúna Cássio tentou consertar esse erro estratégico ao não dizer absolutamente nada e fazer todo mundo acreditar que disse tudo.

É o que chamo de bipolaridade política. Senão, vejamos:  

Cássio disse que a aliança com Ricardo Coutinho não estava amarrada. E, convenhamos, foi inteligente, pois se fosse dizer que estava perdia o poder de pressão pelas duas vagas na chapa majoritária.

Cássio disse que tem conversado com o PMDB através do deputado estadual Trócolli Júnior e isso é outra jogada de Cássio, que sabe que se tiver de conversar com alguém sobre alianças terá que conversar com o senador Vital do Rego, o coordenador da campanha de Veneziano e com quem se encontra todo dia nos corredores do Senado e afirmo que eles não estão conversando sobre alianças e se um dia conversarem o PMDB não abre mão da cabeça de chapa.

Cássio disse que pode ser candidato, mas isso também é normal e um traço psicológico de todo condenado, que a primeira coisa que diz quando abre a boca é que é inocente. A novidade seria se o STF ou o TSE dissessem que Cássio pode ser candidato e não disseram por que ele não pode.

Então, ontem lá em Uiraúna Cássio não disse absolutamente nada. Não disse que seria candidato, não disse que apoiaria Ricardo Coutinho e não disse que apoiaria Veneziano.

Nada, Cássio não disse nada, mas todo mundo acha que ele disse tudo e assim ele volta a alimentar o balão de ensaio para se reposicionar como o voto útil que pode eleger ou derrotar RC, retendo em sua gravidade intenções que podem flutuar para Veneziano ou para o governador.

Respondam-me rápido. Se Cássio fosse romper com RC os deputados do PSDB teriam votado com a base do governo no episódio da LOA? Sem falar que quem elaborou a LOA foi o cassista Gustavo Nogueira.

A verdade é uma só: Cássio apoiará Ricardo Coutinho e está apenas se valorizando para tirar dele o que quer e impedir que o voto útil migre para Veneziano. Mas tem migrado e numa proporção de dois terços pra Veneziano e apenas um terço pra RC.

E justamnete por isso Cássio precisará alimentar mais um pouco essa firula de que é candidato.