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O Banco Central acelerou ontem o ritmo de alta da taxa de juros ao elevar a taxa Selic, que serve de referência para economia, em 0,50 ponto percentual, passando para 11,75% ao ano. Foi o segundo aumento consecutivo depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff, que na campanha criticou uma política econômica baseada em juros altos e corte de gastos.

São os maiores juros em mais de três anos, desde agosto de 2011 (quando estavam em 12%).

A expectativa no mercado é de novas altas no início de 2015, mas o BC sinalizou que o atual ciclo de aperto monetário tende a ser curto. “O Copom decidiu, por unanimidade, intensificar, neste momento, o ajuste da taxa Selic”, disse ontem o BC em seu comunicado.

A instituição afirmou ainda que “o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia”, o que pode indicar um ciclo de alta de juros mais curto, “considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária”.

Em outubro, três dias após as eleições, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) aumentou os juros em uma magnitude menor, de 11% para 11,25% ao ano.

Nas últimas semanas, as apostas do mercado mudaram da manutenção do ritmo de alta visto em outubro para um aumento mais forte da taxa. A decisão de ontem já estava, por exemplo, embutida no preço dos títulos públicos negociados no mercado financeiro. As projeções são de outra alta de 0,50 ponto na reunião do Copom marcada para 21 de janeiro.

Assessores presidenciais também já consideravam a possibilidade de um aperto monetário mais forte, apesar de a economia brasileira estar estagnada. O maior rigor contra a inflação é visto como resposta ao cenário de inflação mais elevada neste final de ano e início de 2015.

Assessores da presidente dizem que o momento é de dar um “choque de credibilidade” na economia, mostrando que o governo não vai tolerar inflação alta e irá reequilibrar as contas públicas. Desde a reeleição de Dilma Rousseff, foram anunciadas várias medidas ortodoxas de política econômica.

Entre elas, aumento de juros, reajuste da gasolina e elevação do superavit fiscal. Além da indicação de um economista de linha ortodoxa para o Ministério da Fazenda, Joaquim Levy, que ocupava um posto no Bradesco.

O BC também já havia adotado um discurso mais duro, ao afirmar que não será “complacente” com a inflação e que poderia “recalibrar” a política monetária quando e se achasse necessário.

As projeções atuais de inflação mostram que o IPCA em 12 meses pode fechar 2014 no teto da meta, de 6,5%. Dentro e fora do governo, já há quem considere que o índice pode ficar ainda mais alto, na casa de 7% no início do próximo ano.

Neste fim de ano, devem pesar fatores como a alta do dólar e das passagens aéreas. Em janeiro, já se espera um aumento maior de tarifas e alimentos, que pode deixar o IPCA próximo de 1% (em janeiro de 2014, foi 0,55%).

Em seus documentos, o BC tem afirmado que a inflação em patamares elevados reflete atualmente a alta do dólar e de preços administrados pelo governo, como tarifas públicas e combustíveis. Esses aumentos se intensificaram recentemente, o que serviu de justificativa para a alta dos juros de outubro.

Com o aumento de hoje, os juros estão no maior patamar desde outubro de 2011, quando eram de 12% ao ano.

REPERCUSSÃO
Com a elevação da taxa básica de juros da Selic para 11,75%, a taxa média de juros para pessoas físicas passa para 103,97% ao ano (ou 6,12% ao mês), segundo cálculos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Com a perspectiva de novos aumentos da Selic, o consumidor deve evitar contratar empréstimos, afirma Thiago Alvarez, sócio-fundador do site de finanças pessoais GuiaBolso. “Além disso, se estiver endividado precisa migrar para créditos mais barato, como o consignado”, diz.

JP