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Outro dia participando de uma entrevista coletiva na sede da Polícia Federal ouvi de um jovem delegado responsável pelo setor de inteligência a frase “nossa estratégia é mostrar que o crime não compensa”.

Os concursos renovaram a PF e os jovens delegados estão seqüestrando os bens dos suspeitos de crimes contra o patrimônio para, bloqueando-os, torná-los indisponíveis e plantar a idéia de que o crime não compensa, pois o fruto do roubo não será usufruído.

Aquela frase ficou em minha cabeça, apesar de ser um jargão na linguagem policial antigo, repetido a exaustão em seriados de TV e até em desenhos animados tipo Tom & Jerry, onde nem sempre o gato é o bem e o rato é o mal. As vezes trocam de papéis ou se juntam.

E agora me vem à cabeça toda vez que me debruço sobre casos como o da Fazenda Cuiá e a doação disfarçada de troca do terreno da Acadepol ao empresário Roberto Santiago.

O que a Operação Gasparzinho alcançou é um picolé de melancia perto da fábrica de sorvetes que há nas entrelinhas dessas duas negociatas.

Não que o crime dos envolvidos naquele escândalo seja perdoável, mas diante da periculosidade embutida nessas duas operações, os gasparzinhos estão no jardim da infância e os protagonistas dos casos Cuiá e Acadepol concluíram doutorado em trambiquês.

Se ontem a oposição rechaçou a entrada do assunto em pauta, ninguém garante que após o recesso os 36 voltem dizendo que é tudo muito justo e que Roberto Santiago, como sugeriu o corregedor da Casa, João Gonçalves, merece votos de aplausos.

Ontem, como disse André Gadelha, o gato não comeu o rato, mas em julho a decência pode sair de férias e a indecência aprovar o que é imoral nos primórdios de agosto.

A pergunta é: O crime compensa? Só saberemos após o recesso parlamentar. Outra coisa, gaturno verm de gato. Foi isso que André quis dizer?