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Desde que assumiu a Presidência da República, há seis meses, Jair Bolsonaro vive às turras com o Congresso Nacional. Ele vende a tese segundo a qual o Planalto não é o problema. Os congressistas é que são o problema do governo. Pois bem, o Legislativo prepara o troco. A reação virá assim que for aprovada a reforma da Previdência, que começa a ser debatida no plenário da Câmara nesta terça-feira.

Num podcast divulgado neste início de semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu uma ideia do que está por vir. Ele declarou que a provável aprovação da reforma da Previdência será uma vitória do Parlamento, não do Planalto, que não conseguiu organizar uma maioria parlamentar. Maia chegou a declarar que “o governo em alguns momentos atrapalhou.”

O deputado disse, de resto, que, no dia seguinte à aprovação da mexida previdenciária, o poder Executivo precisa retomar “uma agenda de recuperação econômica”. O presidente da Câmara foi ao ponto: “A gente precisa, de forma urgente, voltar a gerar empregos.” Eis a novidade: imprensados por Bolsonaro, os congressistas passarão a imprensar o presidente.

Num instante em que sua popularidade estacionou em 33% segundo o Datafolha, menor índice alcançado por um presidente nos primeiros seis meses desde Fernando Collor, o capitão será instado a apresentar resultados. O discurso da herança maldita vai perdendo o prazo de validade. Não podendo culpar o Congresso, restará ao governo dedicar-se à atividade para a qual Bolsonaro foi eleito: trabalhar.

A análise é do colunista Josias de Souza.

Confira em vídeo: