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Político de um Brasil que insiste em não passar, Paulo Maluf não se aperta. Brinca com a má sorte como quem brinca de rolera russa. É como se tivesse certeza de que o destino manipula azares completamente descarregados de riscos.

Condenado pela Justiça do paraíso fiscal de Jersey a devolver o dinheiro desviado da prefeitura de São Paulo, Maluf não se dá por achado. “Não sou réu e nem tenho conta lá fora”, disse, em entrevista à repórter Daniela Lima.

A novidade não adicionou uma mísera ruga na testa de Maluf. “Eu me sinto feliz da vida, estou muito feliz, Deus me proporcionou um bem estar acima da vida dos brasileiros. As nossas empresas vão muito bem, graças a Deus. Tenho dois filhos maravilhosos, uma mulher que vale ouro.”

Condenado a providenciar a repatriação dos milhões retidos em Jersey, o prefeito eleito de São Paulo não é um problema, mas uma oportunidade que Maluf aproveita. “Eu apoiei, sim, Fernando Haddad, num casamento que foi feito na minha casa, com a presença de Lula e na frente de toda a mídia.”

Haddad flerta com o paradoxo. Enquanto reflete sobre a melhor forma de trazer de volta a grana que Maluf desviou, seleciona a secretaria que entregará ao partido do aliado. Maluf faz pose de desinteressado. “Olha, nós não pleiteamos. […] Agora, o partido tem gente muito boa. Se ele quiser escolher alguém, ótimo…”

Retorne-se, por oportuno, ao primeiro parágrafo. Maluf não se aperta. Brinca com a má sorte como quem brinca de rolera russa. É como se tivesse certeza de que o destino manipula azares completamente descarregados.

Com Blog do Josias