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Como se fosse hoje, lembro-me da passagem dos 400 anos de João Pessoa e de um evento chamado Feira das Nações que aconteceu na Praça da Independência. De lá pra cá, 26 anos depois, só uma coisa parou no tempo, aquela praça privada cujos proprietários não permitem reformas.

Aos 426 anos de emancipação, nossa Capital já deve ter mais de um milhão de habitantes, apesar de dados oficias só contabilizar cerca de 800 mil.

Desça ou suba a Epitácio nos horário de pique que logo o amigo vai concluir que João Pessoa já é adulta e como toda metrópole tem um trânsito infernal.

Mas, não é só no trânsito que se percebe que a ex-Felipéia de Nossa Senhora das Neves deixou faz tempo de ser província. A verticalização espalha espigões de até 40 andares por todos os lados e a ventilação faz um esforço danado para distribuir a brisa marinha.

O Altiplano do Cabo Branco, última trincheira de resistência ecológica da zona norte, foi loteado e virou canteiro de obras e algumas delas a menos de 100 metros da falésia e sem autorização do IBAMA.

O Rio Jaguaribe serpenteia entre a Beira Rio e as costas do Manaíra Shopping camuflado e com as palafitas do bairro São José despejando dejetos, mas respira e pode ser revitalizado.

Na Ponta do Seixas tem água minando devido à drenagem falha e infiltrações no solo daquela obra do Estação Ciência. Hoje, a obra de Oscar Niemeyer disputa com a violência das ondas o título de vilã das falésias e em muito breve poderemos ter no extremo oriental o ex-ponto mais oriental das Américas. 

Por falar em coisa pra turista ver, outra proeza desta cidade é a sua capacidade de esconder as favelas. O turista se encanta e acha que é o paraíso por não visualizado nenhum morro de barracos. Se procurar acha, mas terá dificuldades já que os bolsões estão muito bem camuflados nas favelas da Beira Rio, São Rafael, São José e outros que só o pessoense andarilho consegue achar.

Para cair na real ligue o rádio e contabilize o número crescente de assaltos, assassinatos estupros e seqüestros. De pacata esta cidade só tem seu povo. A violência chegou junto com a constatação de que já somos um grande centro urbano e pelas nossas ruas cada de nós é uma potencial vítima ou algoz.

Mas, quem sou eu para exigir que aos 426 João Pessoa vista figurino de recém nascido e exale a inocência inerente aos paraísos? Há problemas e necessidades. Faltam planejamento e obras estruturantes substituindo o paisagismo cosmético e a falácia sem futuro

Mesmo assim, moramos em uma cidade decente. Feliz aniversário Jampa!