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Afilhados políticos de deputados que votaram contra a reforma trabalhista começam a ser exonerados pelo governo Michel Temer. O Diário Oficial da União desta terça-feira, 2, traz a exoneração de Jairo Sotero Nogueira de Souza do cargo de superintendente estadual da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) do Estado do Rio Grande do Norte.

O superintendente foi indicado para o cargo pelo deputado Antônio Jácome (PTN-RN), que votou contra a reforma trabalhista na semana passada. Segundo apurou o Broadcast Político, deputados do PTN deverão perder superintendências da Funasa nos Estados. Além da legenda, as exonerações deverão ainda atingir deputados de partidos da base, como PR, PP, PSB e até do PMDB, partido de Temer. 

O Diário Oficial da União traz ainda as exonerações de Maximiano Leite Barbosa Chaves Filho do cargo de superintendente estadual da Funasa no Estado do Ceará, e de Daniel Kenji Tokuzumi do cargo de superintendente estadual da Funasa em São Paulo. Os cargos maiores, como ministérios e presidências de fundações, só serão retirados se houver infidelidade na votação da reforma da Previdência.

Em reunião realizada na segunda-feira, 01, com ministros e líderes, no Palácio da Alvorada, o presidente Michel Temer disse que quem está com o governo tem bônus, mas também ônus e avisou que será preciso dar o exemplo, com cortes de cargos, para impedir que novas traições prejudiquem a votação da reforma da Previdência.

As mudanças na aposentadoria começam a ser analisadas amanhã por uma comissão especial da Câmara. A expectativa do Palácio do Planalto é de que até julho a proposta tenha passado pelo plenário da Câmara e do Senado, mas esse calendário deve atrasar porque a base aliada está rachada e há muitas resistências à proposta.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, considerou “normal” a reação da sociedade à proposta de mudanças na Previdência. “Se alguém me fala que vai me tirar um direito, eu fico bravo, com razão”, disse Meirelles ao comentar as manifestações de sexta-feira e de segunda-feira, contra as reformas propostas por Temer. “Agora, é preciso dizer a verdade para a população, que o Brasil, se continuar do jeito que está, não vai pagar as contas.”

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que o momento, agora, é de “consolidação” da base aliada. “Nós temos convicção de que possuímos maioria ampla na comissão especial da reforma da Previdência”, disse Ribeiro. Para ser aprovado, o texto precisa de 19 dos 37 votos.

O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, afirmou que o governo terá de fazer “os necessários ajustes” para evitar uma contaminação na base que amplie a dificuldade em torno da reforma da Previdência. “É preciso tirar a laranja podre do cesto”, disse ele, antes da reunião de ontem com Temer, no Alvorada.

Fonte: Estadão