Opinião Polêmica

A lateralidade de Livânia pode esconder medo ou estratégia

Dois detalhes que passaram despercebidos de todos chamaram-me a atenção na delação premiada da ex-dama de ferro dos governos Ricardo Coutinho na Prefeitura de João Pessoa e Governo do Estado.

Sabe-se que Livânia chegou ao Coletivo Ricardo Coutinho após o marido, Elvis, perito da Polícia Federal, ter tido papel fundamental na desconstrução e prisão de Cícero Lucena, posteriormente inocentado nas acusações. Logo, Livânia tinha força por ser importante na ascenção do grupo. Sempre esteve ou nas finanças ou na administração. Um jabuti que subiu na arvore por intercessão de alguém.

Durante o depoimento sobre o que ficou conhecido como “propinoduto girassol”, Livânia protegeu duas vezes a família Coutinho e esses dois detalhes me deixam de orelha em pé. Também deve deixar o GAECO.

No episódio da implosão de evidências e provas do emissário do escritório Bernardo Vidal com 81 mil reais em propina para ela, Coriolano, Gilberto Carneiro e Laura, Livânia relatou ao MP que foi até a Rádio Tabajara e lá entregou ao então secretário de Comunicação Nonato Bandeira o celular de onde o motorista flagrado na blitz tinha feito uma ligação para o então procurador geral do estado, Gilberto Carneiro.

BLINDANDO O TOPO

Percebam que ela também disse que lá estava o governador Ricardo Coutinho fazendo o Fala, Governador. Se o chefe maior estava lá, por qual motivo ela não entregou direto a ele e por que nem cita ele , a não ser na parte em que diz que ele depois determinou que Gilberto fosse ao MP pedir providências, trazendo o governador à cena como o moralizador e não como o chefe que sabia e autorizava tudo, e notoriamente é conhecido como centralizador?

O segundo detalhe é que ela cita Gilberto Carneiro dezenas de vezes como quem trouxe o corruptor para o esquema e que a propina que recebia era para uso pessoal, enriquecimento ilícito, e quando traz o irmão do governador para a cena do crime alivia, fazendo questão de deixar claro que a propina que Coriolano Coutinho recebia era para a campanha, tentando minimizar as coisas e levando a acusação para o que hoje é julgado na Justiça Eleitoral, o ctime de caixa dois.

Prestem muita atenção, amigos da imprensa e força tarefa do GAECO. Ao acusar Nonato e blindar Ricardo, Livânia pode tá seguindo uma estratégia ou por medo ou por combinação macro.

A PEGADINHA CONTRA JOÃO

Nonato Bandeira foi citado para livrar o chefe e desestabilizar o governo João Azevêdo. Nós jornalistas sabemos que o secretário de Comunicação não vive a tiracolo do governador, que anda com assessores de escalões menores.

Como um dos jornalistas que mais denunciou falcatruas nas gestões RC, e que por cerceamento fui o mais processado, cerca de 50 vezes, afirmo que nesses 12 anos que investigo o grupo nunca o nome de Nonato esteve entre os que tiveram desvio de conduta legal.

A lateralidade de Livânia deve ser analisada pelos integrantes do GAECO, pois podemos está diante de uma delação meia boca, montada para crucificar intermediários e proteger o poderoso chefão.

Dércio Alcântara

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